Seja bem vindo ao "Cidade-Condomínio"

Este blog é um trabalho da disciplina "Núcleo Temático: Cidade e Segregação" do curso de graduação em Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Buscamos refletir e debater o tema condominio.

Venha debater conosco a temática condomínio, relatando sua experiência, se é um morador (a) ou suas imprensões a cerca desta forma de moradia!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ficha limpa Condomínios exigem atestado de antecedentes criminais de novos funcionários


Reportagem oriunda do jornal O Globo, de 05/12/2009

"Pedir o atestado de antecedentes criminais antes de contratar um funcionário está virando prática comum aos condomínios cariocas. Levantamento do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-Rio) mostra que este ano houve aumento de 40% no número de edifícios que passaram a fazer a exigência nas novas contratações. Hoje, 21% das admissões só são feitas após o nada-consta criminal, tido como meio de combater a violência. É o que mostra a reportagem de Flávia Monteiro para o Morar Bem deste domingo.

Segundo Raimundo Castro, consultor de segurança do Secovi-Rio, 30% de roubos e furtos em condomínios têm participação de pessoas que trabalham em prédios:

- Seja passando informações relevantes sobre os moradores ou participando do ato em si, constatamos participações.

O assessor jurídico do Sindicato dos Empregados em Edifícios do Município do Rio, Antonio Carlos Batista, diz que a medida é discriminatória:

- É inocência achar que ela vai coibir a violência. A avaliação de um candidato pode ser feita por meio de sua carteira de trabalho e de referências profissionais. Pedir ficha limpa é uma prática antiquada, que me remete à ditadura.

Não há estatísticas específicas de roubos a condomínios no Rio. Esses casos são contabilizados pelo Instituto de Segurança Pública $roubos a residências. De qualquer forma, este delito registrou aumento de 10,7% de julho a setembro em comparação com o mesmo período de 2008. Só em setembro foram 147 casos, contra 127 de um ano antes. Uma alta de 13,6% que se refletiu nas empresas especializadas em efetuar pesquisas e cadastros de candidatos. "

A Paz Que Eu Nao Quero

CIDADE é composta também é CULTURA e esta, muitas vezes tende a denunciar realidade social. Neste vídeo, maria Rita interpreta a Musica Minha Alma (A Paz Que Eu Nao Quero), interpretada pelo O Rappa e composta por Marcelo Yuka.

Que PAZ estamos buscando e de que forma???

O que é viver em condomínio?





Este vídeo mostra a ação "eu amo viver em condomínio" no parque da cidade,realizada no dia 15/06/2008. Nele podemos perceber qual a imagem dos condomínios para as pessoas que neles vivem.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Relato sobre o trabalho de campo realizado no dia 10 de novembro - como referência teórica, Magnani (2002).


O trajeto do Campus Praia Vermelha-UFRJ ao posto 3 de Copacabana pode ser claramente percebido como uma macha de lazer e turismo. Começando pelo Canecão e pelo shopping Rio Sul, evidentemente o maior centro comercial do percurso realizado, observa-se que a localidade é bem servida de transportes coletivos, com uma seqüência de grande quantidade de pontos de ônibus, especialmente em direção à zona Norte da cidade, sendo os carros de diversas empresas, havendo combinações de complementaridade e outras de concorrência entre si, respondendo ao intenso fluxo de passageiros, sendo muitos moradores dessa região e trabalhadores da zona sul; observamos também o constante fluxo de táxis em frente ao shopping, também existindo concorrência entre as cooperativas. Verificamos a presença de meios de transporte regulares e irregulares de vans, que muitas vezes utilizam o espaço dos transportes legais e prejudicam os passageiros destes últimos, já que por vezes os ônibus não param. Ao redor do shopping há poucos pontos de comércio informal, vendedores ambulantes trabalhando basicamente com bebidas, comidas e produtos artesanais. Não foi verificada concorrência entre eles, além de termos notado uma relação de parceria entre os camelôs, ao ajudarem um ao outro na falta de dinheiro trocado para um cliente. Foi possível constatar a existência de um pedaço entre os camelôs, onde possuem interesses semelhantes, com certos hábitos consolidados no local, ainda que em atividade ilegal; observamos alguns sinais de regularidades nesta atividade.
O túnel de acesso a Copacabana possui, nas laterais da pista para automóveis, uma passagem para pedestres e outra para ciclistas, o que é um facilitador da combinação das atividades de lazer com as de comércio. Temos então o túnel como um pórtico, lugar de passagem, ligando pontos do trajeto. Na Avenida Princesa Isabel está situado o teatro Villa Lobos, como ponto cultural da localidade; há grande quantidade de serviços voltados para turistas nesta avenida, muitas lojas de aluguel de carro e de acesso á Internet (com características diferenciadas com relação às lan-houses) . Há também bordéis, ao redor dos quais à noite é possível notar a existência do pedaço constituído por profissionais do sexo, na localidade. Alguns serviços básicos também são oferecidos, como de supermercado, farmácia e bancas de jornal, tendo pouca concorrência, sendo mais significativo o caráter complementar dos equipamentos. Além disso, situam-se também hotéis de luxo. Estes diferentes equipamentos caracterizam também uma relação de contigüidade entre si.
Seguindo pela orla de Copacabana, constatamos a existência de quiosques tradicionais, patrocinados pela marca de cerveja Skol, com serviços oferecidos a critério dos respectivos donos, embora haja um busca por parte destes em responder à demandas (correspondendo basicamente a um comércio típico aos quiosques das praias da cidade) Mais adiante já se encontram modelos padronizados e sofisticados de quiosques, ocupados por marcas importadas ou não. No posto 3, por exemplo, há um estabelecimento Habib’s (voltado para alimentação e acessível a camadas mais populares), um quiosque Vivenda do Camarão, marca brasileira com lojas espalhadas pelo país, não caracterizando concorrência com relação às especialidades oferecidas, mas ao serviço de alimentação do local. Outros quiosques destacam uma marca brasileira de cerveja e outra (cigarro)
Ao longo da orla estudada, nota-se que a maioria dos serviços públicos e privados possuem legenda em português e inglês (alguns poucos em espanhol ou francês); há também um quiosque onde se oferece serviço de informações turísticas, pela Rio-tur e patrocinado pela Nestlé.
A partir atividades destacadas nos dois parágrafos acima, a mancha de turismo e lazer existente se evidencia ainda mais.
Na areia há algumas escolinhas de vôlei, que ocupam parte do espaço público. Embora possam ser autorizadas pela prefeitura, representam a presença de interesses particulares neste espaço. No espaço restante, mais próximo ao mar, um grupo de homens jogando bola traz certo desconforto a alguns banhistas, com quem dividem o espaço. Porém, que os amadores já formam um pedaço naquele local e se comportam como os “donos da casa” nas atividades que realizam. Observamos um “parquinho” também na areia, não sendo utilizado. No mesmo ambiente encontramos menores de rua, alojando seus pertences debaixo de árvores, sendo revistados por integrantes da Guarda Municipal na operação “choque de ordem”. Para os meninos de rua, pode ser que também haja um pedaço constituído não só pelas afinidades e por suas condições em comum, como naquela determinada área da praia. Entretanto, passando rotineiramente por abordagens do poder público. Este ocorrido pode ser referido dentre as conseqüências do processo de urbanização em curso, citadas por Magnani, como a deterioração dos espaços e equipamentos públicos, levando à privatização da vida coletiva à segregação, ao confinamento em ambientes e redes sociais restritos, assim como a situações de violência.
Do lado oposto ao calçadão, constatamos que há hotéis com diferenciados modelos arquitetônicos, vários são sofisticados e luxuosos, ao mesmo tempo em que muitos são antigos, porém tradicionais. A Rede de hotéis Othon possui alguns estabelecimentos neste trecho, complementando seus próprios serviços e concorrendo com outros nomes; entre hotéis está localizada uma agência de viagens. Em relação a instituições de educação, têm-se situada entre edifícios residenciais uma Escola Municipal. Nas proximidades há alguns bares tradicionais, e pouco comércio como padarias, farmácias etc.
Embora as categorias pedaço, mancha, trajeto, pórtico e circuito sejam de extrema importância para a compreensão em parte da dinâmica cultural estabelecida em Copacabana, não há como negar a forte presença de equipamentos comerciais em contigüidade no trajeto analisado, com evidentes parcerias entre os setores publico e privado, buscando maior consumo cultural, mais enobrecimento e qualificação para Copacabana, de modo a implementar a modalidade conhecida por “consumo do lugar”.

Resenha:A reinvenção das cidades na virada de século: agentes, estratégias e escalas de ação políticas Autora: Fernanda Sanches – UFRJ


Nesse texto a autora pretende mostrar os fenômenos da globalização que não se restringe ao mundo econômico, mas que afetam também a produção do espaço urbano e atinge diretamente a formulação e legitimação de paradigmas nas políticas urbanas.
As “cidades-modelos” são imagens construídas pela ação de governos locais, junto a atores hegemônicos com interesses localizados, agências multilaterais e redes mundiais de cidade. Estes atores realizam as leituras das cidades e constroem as imagens, tornadas dominantes mediante estratégias discursivas, meios e instrumentos para sua difusão e legitimação em varias escalas.
Tomada isoladamente as “cidades-modelos” para o senso comum pode aparecer como desempenho dos governos das cidades através de boa práticas e pode se dar de dentro para fora, construído a partir da ação de governos locais e cidades e que são descobertos por agentes externos, difundindo em outros âmbitos e escalas.
No caso de Curitiba, existem vários atores locais, e agentes e estratégias territoriais que comparece para produzir a imagem. O processo de produção do espaço social é ao mesmo tempo objetivo e subjetivo. São introduzidas formas de modernas de dominação e técnicas de manipulação cultural.
Isso explica a importâncias das city marketing como instrumentos das políticas urbanas. As cidades dominantes possuem uma agenda com pautas definidas para programas e ações, são desenvolvidas políticas de promoção e legitimação de certos projetos de cidade. a “ inteligência-global” dar-se pelas instâncias e pelos atores dominantes que avaliam e classificam cada projeto de modernização urbana com pretensões de reinserção global.
Como é o caso do “modelo- Curitiba” que teve uma seqüência de premiações Outorgadas á Prefeitura Municipal pelas mesma s agências , relatórios elaborados por consultores do Banco Mundial e da ONU.
Através de análises de processos de reestruturação urbana da década de 90, em sua relação com os respectivos governos de cidades e suas políticas urbanas, é possível identificar convergências. Ás estratégias utilizadas pelo poder político para “vender” as cidades faz com que a mesma seja vista com “cidade-mercadoria” isso identifica um processo de mercantilização nova inspiração encontrada pelo capitalismo compreende a compra e venda do espaço na escala mundial.
Esse mercado mundial de cidades é movido por e, ao mesmo tempo, movimenta alguns outros mercados:
• Mercado para empresas com interesses localizados: empresas e corporações, lugares para tomar decisões locacionais. Empresas vinculadas ao capital financeiro, industriais, comercial e de serviços.
• Mercado imobiliário: a crescente mobilidade do capital permite no agendamento de grandes operações localizadas, com investimentos de capital internacional.
• Mercado de consumo: circulação de imagens de “cidades-modelos” tende a agilizar os fluxos de consumo interno e externo
• Mercado de turismo: fortes imbricações, constrói suas segmentação e grupos-alvo no mercado, como o turismo de compras, e jovens ou de terceira idade;
• Mercado das chamadas “boas prática”: agencias multilaterais, objetivos técnicos, interesses políticos ideológicos na promoção e difusão internacional, legitimação de ‘administrações” urbanas “competentes”, “gestões competitivas” ou “planejamento urbano estratégico”.
• Mercado de consultoria em planejamentos e políticas publicas: atores locais, como prefeitos, lideranças constrói seus projetos políticos através da projeção e reconhecimento de sua atuação que, referida á escala do “local”. “experiências de sucesso”

Nessa leitura se trava a luta política pela imposição, medida sempre por conflitos e tentativas de construção de hegemonia, de uma leitura frente ás muitas outras que estão em permanente disputa neste campo. A luta simbólica se trata de um dos processos políticos relevantes na compreensão de lugares, em relação dialética com os processos materiais de modernização urbana.
Essas lutas não são mera expressão das relações de poder, atuam o campo das praticas, reelaboram as pratica. As leituras oficiais da cidade, que configuram imagens, costumam ser mostradas com aparência de objetividade, apresentando fatos sociais como inquestionáveis. Um exemplo é a cidade Curitiba que aparece em primeiro lugar, dando lugar á produção e veiculação de mais uma de suas imagens-síntese, a melhor cidade par os negócios.
A mídia é estratégia para os governos locais, pois realizam a espetacularização da cidade e molda as representações acerca de sua transformação. Produz signos de bem-estar e satisfação no consumo dos espaços de lazer, cria comportamentos e estilos de vida e promove a valorização de lugares, bem como os usos considerados “adequados” como em Curitiba.
As políticas culturais de lugares vêm sendo cada vez mais alinhadas ás políticas econômicas. A reestruturação urbana só é possível quando acompanhada de uma reestabilização do governo urbano. Os lugares são repletos de diferenças internas e conflitos, que podem ser expressos em leituras dissonantes em disputa de espaços políticos. Se nas cidades há múltiplas identidades que podem ser “recursos de riquezas ou fonte de conflito”é necessário portanto questionar a idéia da “ identidade do lugar” como se fosse a única, ou da “imagem -síntese do lugar”idéias força do discurso urbano dominante que se tornam armadilhas e fetiches.
As representações sobre as cidades podem ser poderosas em suas conseqüências locais, regionais, nacionais e internacionais. Podem ter desdobramentos geopolíticos e econômicos que repercutem em variadas e simultâneas escalas.
Devido a essa dimensão, não costumam ser pautadas pelos parâmetros e objetivos definidos apenas pelas autoridades dos governos municipais. Sua elaboração vem de campos provenientes de saberes de experts. Publicitários, consultores em marketing, produtores culturais, conselheiros em comunicação e pesquisa de mercado são os agentes que se emergem como figuras centrais associadas á gestão empresarial das cidades.

Resenha do texto: De perto e de dentro: Notas para uma etnografia urbana (Magnani, José Guilherme Cantor)



No referido texto, Magnani pretende explorar duas dimensões de reflexão. Com base em diversos autores, a primeira trata das abordagens sobre cidade, as quais caracteriza como um olhar de longe e de fora, que oferecem uma dimensão macro para a compreensão da dinâmica cultural das chamadas cidades globais. A segunda dimensão é uma proposta do autor, de cunho etnográfico, a qual irá denominar um olhar de perto e de dentro. Entretanto, Magnani chama atenção para o fato de que o olhar distanciado não pode ser descartado, ao contrário, este permite ampliar o horizonte de análise, bem como complementar sua proposta.
Um dos blocos de abordagens sobre cidade, citado pelo autor, diz respeito ao que seria o caos urbano provocado por fatores desordenados de crescimento, característicos das grandes cidades dos países subdesenvolvidos. Um outro bloco alude às metrópoles de primeiro mundo, identificadas como protótipo sociedade pós-industrial, onde o enfoque está na ruptura com as estruturas urbanas anteriores, considerando inclusive as formas de sociabilidade.
Não obstante o paradoxo entre estes blocos, Magnani admite a existência de uma infra-estrutura que equaliza estas cidades, seja por suas funções, equipamentos ou instituições, fazendo parte da integração com a “infra-estrutura social para a conectividade global”. Ao mesmo tempo, é essencial que cada cidade possua suas peculiaridades; frente a isto o “planejamento estratégico” vem servindo de base para os projetos de renovação urbana, onde pretende instaurar o “consumo do lugar”, como nova modalidade de consumo cultural, o que estaria sendo identificado por alguns como parte da tendência pós-moderna, ao passo que outros não acreditem que aspectos pós-modernos são capazes de romper com o que os antecede. Para Otília Arantes (1998) “(...) as novas tendências estruturais (...) transformam os alegados valores locais em mercadorias a serem igualmente consumidas e recicladas na mesma velocidade em que se move o capital. Leituras mais técnicas do planejamento estratégico apontam que a questão urbana deve ser entendida sob a dinâmica da competitividade, há quem cite um urbanismo socialmente includente e democrático e, na mesma linha, para Ana Cristina Fernandes, (2001) as políticas públicas devem ser pensadas sob os interesses de organismos multilaterais juntamente com instituições de consultoria internacional, corporações transnacionais e elites locais.
Após estes levantamentos, Magnani aponta para o fato de determinados atores sociais desaparecem das análises, quando algumas ousam explicar toda a dinâmica das cidades através do sistema capitalista. Os moradores das cidades são considerados parte passiva deste processo. Assim, o autor retorna à importância da etnografia para a possibilidade de romper com o antagonismo entre o indivíduo e as megaestruturas urbanas, de modo a resgatar uma série de práticas que não são visíveis ao ser trabalhado apenas o olhar de fora e de longe.
A prática proposta por Magnani procura considerar para além deste olhar a possibilidade de escolha dos indivíduos com relação à maneira como se organizam em sociedade. O autor ressalta o cuidado de não tornar estas questões particulares, buscando mapear os diferentes segmentos sociais, tendo em vista a existência de planos intermediários onde se podem identificar padrões e regularidades. Com esta finalidade, Magnani organizou cinco categorias de análise, cujas definições foram sintetizadas após extrairmos do texto:
pedaço, representa um espaço intermediário entre o público e o privado- “casa versus rua” que estaria vinculado ao modo de vida e às tradições, de maneira a manter uma rede básica de sociabilidade, onde as pessoas se reconhecem como portadores dos mesmos símbolos que remetem a gostos, orientações, valores e hábitos de consumo e de vida semelhantes;
mancha, funciona como ponto de referência para maior quantidade de pessoas. Nesta categoria a base física seria mais ampla, possibilitando a circulação de pessoas oriundas de várias procedências. Ao contrário dos pedaços, onde o indivíduo procura por iguais, na mancha pode-se saber que tipo de pessoas ou serviços serão encontrados, mas não exatamente quais.. No interior da mancha pode haver vários pedaços;
trajeto, aplica-se a fluxos recorrentes no espaço mais abrangente da cidade e no interior das manchas urbanas. É a extensão e a diversidade do espaço urbano para além do bairro que se colocam a necessidade de deslocamentos para regiões distantes e não contíguas. Trajetos ligam equipamentos, pontos, manchas, complementares ou alternativos; assim, permitem pensar tanto uma possibilidade de escolhas no interior das manchas como a abertura dessas manchas e pedaços em direção a outros pontos no espaço urbano e, por conseqüência, a outras lógicas;
pórticos, se referem a espaços, marcos e vazios na paisagem urbana que se configuram passagens; por meio deles se fazem os trajetos. Não se enquadram em manchas, nem em outras classificações;
circuito, seria uma categoria que descreve o exercício de uma prática ou a oferta de determinado serviço por meio de estabelecimentos, equipamentos e espaços que não mantém entre si uma relação de contigüidade espacial, sendo reconhecido em seu conjunto pelos usuários habituais. A noção de circuito também designa um uso do espaço e de equipamentos urbanos, porém de forma mais independente com relação ao espaço. Contudo, também pode ser levantado, descrito e localizado.
Tais categorias não se anulam, ao contrário são complementares na compreensão da dinâmica cultural com base no olhar de perto e de dentro de Magnani.
Após esta análise, o autor enfatiza que o crescimento desordenado das grandes cidades não teve como conseqüência somente a desagregação do processo de urbanização, mas configurações nas formas de sociabilidade (e não o fim da sociabilidade), citando que “um determinado circuito de lazer, articulando pontos distantes da cidade, é tão real e significativo para seus usuários, quanto a vizinhança no contexto do bairro”.
Finalmente, José Guilherme Magnani reafirma a meta de buscar uma lógica mais geral, agora em direção á antropologia da cidade, com um olhar distanciado, reconhecendo que é possível transcender nesta lógica de referência a modelos e planos mais amplos.

domingo, 13 de dezembro de 2009





Resenha do texto: Paisagens urbanas do século: Notas sobre a mudança social e o espaço urbano (ZUKIN, Sheron).

Neste texto a autora relata a alterações do espaço urbano e da sociedade no séc XXI. Tais mudanças vêm impondo normas de ajuste e tem impulsionado assim a reestruturação urbana.
Segundo Zukin, os estudiosos sobre a temática cidade, estão tentando desvendar quais são as alterações da estrutura econômica das instituições políticas, a escala geográfica e as estruturas sociais que influenciam o espaço urbano. Um exemplo é o aumento, cada vez maior, dos edifícios ditos “arranha-céus”, que são construídos nos centros comerciais e financeiros. Já nos centros culturais, buscam-se outros tipos de construções como os museus.
Os shoppings é luma forma de domesticação do espaço público, pois visam imprimir sua marca lançando formas padronizadas de comportamento, vestuários etc.
No texto é abordado o conceito de paisagem, que é utilizado pelos geógrafos e historiadores como construção material e representação simbólica das relações sociais e espaciais.
O termo ganha novo significado para representar as relações de poder, para demonstrar o que é construído e o que resiste. Para clarificar, podemos comparar a construções dos grandes prédios e a populares são fotografias das relações sociais. Percebem-se rupturas de atividades e grupos sociais, reforçando assim as diferenças.
Há três tensões centrais no conceito de paisagem:
  • Paisagem e vernacular:
    Vernacular é utilizado pela autora para se referir às construções tanto dos edifícios, quanto das relações sociais feitas pelos desprovidos de poder, contrastando as paisagens impostas pelos poderosos. Portanto é o que há de mais tradicional em um contexto e uma forma de resistência.
  • Mercado e lugar:
    Mercado visa produzir variação do lugar para homogeneizar os grupos sociais, para criar uma cultura local. Exemplo disso são as cidades planejadas, como as ecologicamente sustentáveis, ditas verdes. Já o lugar é uma forma mais dinâmica do vernacular; é uma contra corrente à renovação urbana,financiados tantos pelos capitalistas ou pelo Estado.
    Mercado e lugar são então, uma representação de correlação de forças estruturais,sejam elas matérias ou simbólicas.
  • Relação entre sistema de produção econômica e o desenvolvimento de novos produtos culturais:
    A elaboração de uma economia de “informação”, favorecida pelo processo de globalização, tem exigindo que as paisagens da cidade seja reestruturada. Cresce a valorização por produtos abstratos, como moda, em contra posição as velhas indústrias de manufatura.
    A inserção das cidades na economia mundial permite uma mudança na estrutura social e espacial urbana.

    Notamos com este texto que as cidades do século XXI, são cenários para as disputas de poder e das correlações de força, entre os que exercem e detêm o poder e os que só possuem a resistência como arma de luta, aqueles que não aceitam de forma passiva as mudanças verticalizadas.

    Os condomínios também estão uma expressão deste movimento de reestruração das cidades, pois impõem, entre outros, uma marca própria, um estilo de comportamento, padrões arquitetônicos. Muitas vezes, meio a eles, há possibilidade de perceber o vernacular, através de construções populares.